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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Daniel Barros - por Raick Tavares

PRÉ-VENDA! GARANTA JÁ O SEU EXEMPLAR!
https://www.editorapenalux.com.br/loja/canto-escuro
Eu tive o prazer de conhecer o Daniel Barros em 2014, pelas redes sociais e depois pessoalmente. Passei a ser seu leitor e admirador do trabalho. 
Comecei minha leitura a partir do romance Enterro Sem Defunto. Depois li seus outros dois romance, O Sorriso da Cachorra e Mar de Pedras, e todos, tive o mesmo impacto. Ele é um escritor que sabe dosar bem os capítulo, curtos e enxutos, e ser direto indo ao ponto. 
Ao fundo, AST Ivan Marinho
Sua prosa nacionalista me ensina sempre e me faz enxergar o Brasil com seus enormes labirintos e profundas desigualdades sociais.
Depois de 4 anos, ele nos presenteia com Canto Escuro (PRÉ-VENDA! GARANTA JÁ O SEU EXEMPLAR! ), que ouvi muito sobre e tive a oportunidade de conhecer um release do romance, antes de ir para editora. Daniel Barros é o autor que você precisa conhecer não só uma obra, mas todo o seu trabalho. Ele, com sua escrita fluida e ritmada, irá te instigar do primeiro ao último parágrafo.
Raick Tavares
Escritor e jornalista

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Cartas Fraternas - ensaios sobre a amizade - Prof. Filemon Félix de Moraes

Cartas Fraternas



Muitos escritores buscam na ficção uma forma de dizer verdades. Alguns criam amigos imaginários, com quem travam belíssimos diálogos, como muito bem fazia o saudoso Nilton Maciel. Diálogos fictícios que discutem os problemas cotidianos: política, arte, educação, enfim, desse mar de imaginação surgem contos, crônicas e até mesmo novelas para que nos deleitemos.
Professor Filemon Félix de Moraes
Em Cartas Fraternas, Filemon Félix de Moraes nos brinda com magníficas crônicas, escritas em forma de cartas que, como toda boa literatura, nos deixam em dúvida se são verdadeiras ou fruto da imaginação criativa do autor de Meias Verdades. O que me faz lembrar o velho Hemingway: “Todos os bons livros se parecem: são mais reais do que se tivessem acontecido de verdade”. A diversidade de temas é fascinante — sob o ponto de vista subjetivo e pessoal — vão desde admiração, paixão, saudade, comportamento, mudanças, trabalho e até mesmo política, como em Ensaio sobre a eleição, onde Filemon expõe toda sua sensibilidade humana, não esquecendo sua origem humilde e que, mesmo tendo prosperado financeira e profissionalmente, não se tornou um capitão-do-mato, pois reconhece as dificuldades pela qual passa boa parte do povo e se mostra sensível a tais problemas, reconhecendo quem algo fez por essa parcela esquecida por nossos governantes, desde a época da colonização. 
Por esses e outros fatores, não tenha dúvida que Cartas Fraternas terá lugar de destaque em nossa estante ou em nossa cabeceira, ao alcance da mão, para que a qualquer momento possamos aprazer-nos com crônicas tão bem construídas.  
Daniel Barros — escritor
Brasília, 5 de fevereiro de 2019

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Frente a Frente com Rubem Fonseca - Manoel Neto

Com um vocabulário rico e elegante, Manoel Neto narra as amarguras de um velho
agente de polícia esquecido pelos neófitos de sua corporação, que o consideravam
ultrapassado. Mas o furto de uma grande obra literária, quatro manuscritos do consagrado
escritor Rubem Fonseca, lança um desafio a estes calouros policiais que desdenhavam do
velho investigador. Quem vencerá?

A linguagem rebuscada e ao mesmo tempo clara, associada ao humor
característico do autor, traz-nos uma trama policial bem feita e divertida, com detalhes e
mistérios a serem desvendados pelo leitor. Essas características unem os dois autores, o
homenageado Rubem Fonseca e Manoel Neto, pois ambos iniciaram suas carreiras como policiais na
Capital da República, o primeiro no Rio e o segundo em Brasília. Sem dúvida, as experiências
de ambos se traduzem em narrativas rápidas e certeiras, sem espaço para erros técnicos na
investigação tão comuns na literatura policial.
Manoel Neto

Frente a frente com Rubem Fonseca transporta o leitor para dentro da trama, e
leva-o a perguntar, se é real ou é ficção? Observe as pistas, caro leitor, e descubra se você é
capaz de solucionar este caso. O mistério é todo seu.


Daniel Barros
Escritor

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Clarice, A Última Araújo - Romance de Paulo Souza – Para quebrar regras.

Clarice, A Última Araújo - Romance de Paulo Souza – Para quebrar regras.

https://www.editorapenalux.com.br/autor/MzM3/Paulo_Souza


Costuma circular no meio literário que o crítico é sempre um escritor frustrado. Entretanto Paulo Souza, blogueiro, contista e crítico literário, surge para quebrar essa regra. Em seu romance de estreia, Clarice, o autor nos remete a um mundo místico de querubins e anjos. O que poderia ser apenas mais um livro de fantasias e crendices, não é, não, meu caro! A estória é engendrada entre o encanto de um querubim por uma linda mortal, e isso marca o enredo da trama, que apresenta temas importantes e verdadeiros como: prostituição infantil, corrupção, hipocrisia, amor e política. 
Paulo Souza
O sonho de conhecer a chuva faz a pequena e formosa menina Clarice ser ludibriada pela experiente cafetina, Joana Critério, que a leva para morar na capital cearense. A ilusão prometida de uma vida melhor é argumento comum, usado por aliciadores de menores para iniciar meninas no submundo da prostituição infantil. A menina sonhadora fugia da praga da seca provocada, segundo se dizia, por uma de suas antepassadas que, ao se deitar com um querubim, trouxe a maldição para sua cidade natal, Novo Oriente, que, desde o acontecido, nunca mais recebera uma só gota de água dos céus.  Além da maldição da seca, outro fenômeno ocorrera nos Araújo, família de Clarice: só nasceram mulheres, que de tão lindas encantavam e enlouqueciam todos os homens que com elas se deitavam. Então para todos da cidade, graças às fofocas da viúva Das Dores, os Araújo eram os verdadeiros culpados pela seca.
Paulo Souza soube, com mestria, dar ritmo e fluidez às palavras, que, quando lidas, surgem como música aos nossos ouvidos. Uma leitura agradável e envolvente nos faz entrar no mundo mágico e dolorido de Clarice. 
Não há duvidas! Paulo Souza, com seu romance Clarice, fará parte do time dos melhores romancistas dessa nova geração de autores nacionais.  

Daniel Barros
Escritor 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

UMA TRAJETÓRIA LUMINOSA - João Carlos Taveira*



                                                

                            Acaba de sair, finalmente, pela Massao Ohno, o tão esperado livro de poemas de Maria Braga Horta, intitulado Caminho de Estrelas.  Trata-se de uma compilação de toda a sua produção poética em grosso volume de 254 páginas ilustradas por Ivanir Geraldo Viana, com capa da filha Glória Braga Horta, organizado e prefaciado pelo primogênito Anderson Braga Horta, também poeta e um dos mais representativos de sua geração.
Acaba de sair, finalmente, pela Massao Ohno, o tão esperado livro de poemas de Maria Braga Horta, intitulado
              O livro enfeixa desde as primeiras criações até os últimos passos da poetisa pelas sendas do Parnaso, perfazendo um longo e fértil período, que se inicia em 1931 e vai até 1978. Portanto, quase meio século de uma produção rica e variada de autêntica poesia.  Tome-se de exemplo esta pequena amostra:

                                                 





ANTIFLOR

                                      Caule esdrúxulo, gerado
                                      sem ventre.  Crisol de verdes
                                      espadas, sem punho e gume,
                                      erguidas do escuro estrume
                                      sem o orgasmo das sementes:
                                      (grande mistério o de seres
                                      vivente por recriado
                                      de fibras remanescentes!)
                                      — por que mistério ainda cirzes
                                      a terra, tão bem cerzida,
                                      com tuas finas raízes?
                                      — por quê, sem fonte de amor,                                     
                                      vives (eterna antivida!)
                                      se serás sempre antiflor?
                                      
              Maria Braga Horta, mercê das responsabilidades de professora, dona-de-casa, esposa e mãe de cinco filhos, foi uma mulher sempre atualizada e muito bem informada, nunca deixando de lado o seu diálogo com a Poesia, quer por intermédio da leitura, quer no seu mister de criação.
              Apesar de inédita em livro, angariou respeito e admiração de vários e importantes escritores, a exemplo de Carlos Drummond de Andrade que, reconhecendo-lhe os méritos artesanais, fez incluir o soneto "Legado", a ele oferecido com dedicatória, no seu livro Uma Pedra no Meio do Caminho.  Ouçamo-lo:


                                                    LEGADO     
 

                                                   A Carlos Drummond de Andrade
                                         (resposta a seu soneto do mesmo título)


                          Que lembrança melhor deixará para os seus
                          o poeta, senão os seus versos, seu tudo?
                          pois que deixa uma herança inspirada por Deus
                          e que a todos pertence em total conteúdo.

                          Nem é dado ao poeta, em seu último adeus,
                          deixar mais que o seu verso imortal e desnudo...
                          que este mundo atual não premia os orfeus
                          com palácios, brasões, nem medalhas e escudo.

                          Mas do verso que vibra e que escorre da pena
                          na infinita expressão que somente um poeta
                          poderá traduzir em linguagem terrena

                          ficarão para sempre a lembrança e o carinho
                          de quem soube polir, com primores de esteta,
                          uma pedra que havia em meio do caminho...

              Dona de uma técnica apurada (de que nos dão testemunho os inúmeros sonetos) e conhecedora atenta dos liames de seu ofício, a autora do "Apólogo Chinês", com extrema delicadeza, constrói cada peça de seu mosaico como se trabalhasse (e trabalhava) peças de porcelana.  Seus poemas soam aos nossos ouvidos com intensa musicalidade e fluem diante dos nossos olhos como arabescos de filigranas as mais sutis.  Talvez aquele encantamento peculiar a uma voz lírica próxima à de Cecília Meireles.  Senão, vejamos:

Maria Braga Horta
                                                 ASAS PARA O INFINITO

Qual um pássaro sem destino abri, para o azul sem fim, minhas asas  de  teia e filigrana.
Tão frágeis, tão imateriais, como haveriam  de resistir aos ventos, às procelas?
                          Como resistiriam, tão finas! ao frio e ao sol?
                          Eis o que aconteceu:
— fechadas, como um desejo, no pensamento, tinham a forma e as cores da perfeição...        
 — abertas à luz, transformadas em vôo, desfizeram-se em pequenos retalhos deformados, como pedaços de penas a rolar pelo chão...


              Caminho de Estrelas é um livro completo, cuja mestria autoral atinge um alto grau de sensibilidade e beleza.  Um livro pleno de poesia, testemunho silencioso de uma artista que, em sua luminosa trajetória, um dia traduziu em versos "a ambição de ser deus(a) e a dor de ser mortal!".

Brasília, 1.º de janeiro de 1997. 


*João Carlos Taveira é poeta e crítico literário, com vários livros publicados, entre os quais O Prisioneiro (1984), Na Concha das Palavras Azuis (1987), Canto Só (1989), Aceitação do Branco (1991). Tem poemas traduzidos para o russo, o romeno, o espanhol, o italiano.

domingo, 6 de maio de 2018

Soberania nacional - Daniel Barros

Gostaria muito de escrever sobre alguns pontos importantes do nosso cenário contemporâneo. Esclarecer tais pontos, sob minha ótica, entretanto sem paixão, apenas relatar fatos, como fiz nos meus relatórios policiais, onde sempre fui visceral, profundo e convicto na busca da verdade. Entretanto a verdade é muito subjetiva, quando quem a busca já definiu qual ela será. Então, na realidade não procura, mas caça argumentos que a comprovem. 
Vivemos um momento de profunda crise política, social e econômica. Última pesquisa CNI/Ibope, entre 22 a 25 de março, a forma de governar de Temer conta com a REPROVAÇÃO de 87%, o que torna a crise política profunda, afinal como estabilizar o país sem participação e apoio popular? A mesma pesquisa aponta como o período de maior aprovação os governos Lula e Dilma. Ao término do governo Lula, este contava com os mesmos 87%, mas no caso dele de APROVAÇÃO. Fruto de uma política de inclusão social e investimentos econômicos avassaladores, que buscaram o aumento da renda do assalariado, bem como a inserção de novos trabalhadores ao mercado. O desemprego caiu de 12,1% em 2002 para 6,2% em 2010, com consequente aumento do consumo, que gerou um salto no PIB de 2,7 em 2002 para + 7 em 2010. O crescimento econômico aliado às políticas sociais fez o dólar despencar de $3,94 para $1,70, bem como a inflação de 12,5% para 5,1%, no mesmo período já citado, o que levou o mercado financeiro internacional a acreditar no Brasil e o risco país cair dos inacreditáveis 2.436 pontos para apenas 174; índice histórico. Agora lhes pergunto: Estes índices são bons ou ruins para todos nós brasileiros? 

Na contramão desta política, surge o governo Temer apoiado pelo PSDB, DEM, PSC, entre outros, com uma política inversa. Mesmo sem apoio popular aprova a reforma trabalhista, alegando geração de emprego e o desemprego passa de 12,6%, segundo IBGE, em 2018. O índice de trabalhadores com carteira assinada segue em queda de 1,8% no primeiro trimestre do ano em relação a 2017. O emprego informal caiu ainda mais, 3,6%, o que comprova que a reforma trabalhista foi um duro golpe na classe trabalhadora. E não para por aí, o futuro do país com esta política é tenebroso: A extrema pobreza cresceu 11% e mais, as matrículas no ensino básico este ano caíram 7%. E novamente lhe pergunto: qual o futuro deste país? 
No governo anterior foi sancionada uma lei que garantia 75% dos royalties do petróleo do pré-sal para investimentos na educação e 25% na saúde. No governo Temer a lei foi alterada com o intuito de entregar ao capital financeiro internacional o controle de nosso petróleo. Veja trecho da reportagem publicada no jornal El País, em 16 de novembro de 2016, María Martín: “A aprovação desse marco regulatório (lei sancionada por Dilma) não agradou as petroleiras americanas, segundo foi revelado pelo vazamento de telegramas obtidos pelo site WikiLeaks em 2010. Na época, a representante de uma delas, segundo os documentos, ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), hoje ministro de Exteriores, a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse. Serra, autor da proposta original sobre a mudança, sempre negou ter feito as afirmações a ele atribuídas no telegrama.” E mais uma vez lhes pergunto: Quem são os patriotas que defendem o Brasil?
Para o capital financeiro internacional, com o apoio do empresariado nacional, liderados pela FIESP, e políticos neoliberais, o projeto de entrega das nossas riquezas precisa ser consolidado. O país não pode voltar às mãos da esquerda, muito ainda precisa ser feito por eles, como a privatização da Eletrobrás, reforma da previdência, o sucateamentos dos correios para fortalecer as empresas internacionais, como a FedEx (acrônimo  do nome original da empresa Federal Express, empresa Norte Americana). E mais uma vez lhes pergunto: como não ver que nossa soberania está ameaçada?
Como podemos perceber, existe um projeto de entrega de nossa soberania. Dois anos com o governo Temer não foram suficientes, faltam algumas privatizações, reformas, como a da previdência, e principalmente impedir a volta da esquerda ao poder. Vamos começar, e peço que continue lendo, pelo julgamento de Lula. Uma série de indícios de corrupção na Petrobras, várias prisões e nada ligado ao presidente Lula, então o juiz Moro utiliza a delação premiada para pressionar os envolvidos, não basta colaborar, a delação tem que envolver o nome de Lula. Caso contrário o delator permanece preso, quem denuncia é soltou ou tem a pena reduzida. A prisão não pode ser usada para fazer com que o preso confesse algum crime ou dizer o que o seu confessor quer, não existe esta previsão na lei brasileira, acontecendo isto seria, sem dúvida, uma espécie de tortura, como disse um dos ministros do STF. Mas enfim, surgem delações envolvendo o nome de Lula, tornando possível sua condenação. Entretanto, meu caro, você perguntaria: não são necessárias confirmações das delações? Sim, mas é aí que entra a parcialidade do magistrado, que nega o pedido da defesa para que, por exemplo, o suposto contrato de compra do triplex fosse periciado, pela própria Polícia Federal, pois sendo feita a perícia, a “prova” da acusação transformar-se-ia em prova da defesa e não da acusação. Por que um juiz nega que uma perícia seja realizada pela “sua” própria polícia judiciária? Outro fato “delatado” foi a reforma do triplex. Vários pedidos da defesa para que fossem feitas vistorias foram negadas pelo juiz Moro. Por quê? Como pudemos ver recentemente a reforma nunca existiu, por isto as vistorias foram negadas, pois se feitas virariam provas usadas na defesa do réu. À época foi dito, por testemunhas: o zelador do triplex e o engenheiro responsável pela reforma, afirmaram categoricamente que, inclusive, havia um elevador privativo para o triplex. Hoje sabemos que nenhuma reforma foi feita e muito menos elevador privativo. E tudo vai ficar por isso mesmo? Prestar falso testemunho é crime, onde estão o zelador e o engenheiro? Para responder por isto. O juiz, nem vou perder meu tempo querendo punição, pois na pior das hipóteses, para ele, seria uma aposentadoria INTEGRAL, ou seja, punição alguma.
O caro leitor poderia me perguntar: mas o TRF-4? Eles confirmaram a sentença do juiz e até aumentaram a pena. Você sabia que existem 257 processos na frente do processo do presidente Lula no TRF-4? Por que passar o do Lula na frente de todos? Como estes mesmo desembargadores têm imparcialidade para julgar esse réu? Esta pergunta vou deixar para você, caro leitor, responder. Responderei a outra: as últimas quatro eleições presidenciais foram vencidas pelo presidente Lula, duas com ele candidato e duas com a presidente Dilma, uma desconhecida e nada popular candidata, mas mesmo assim Lula conseguiu convencer o povo a votar nela. Então, era necessário não só adiantar o processo como condená-lo e tirá-lo da disputa em 2018, e para isto a condenação em 2ª estância era necessária, mesmo sem as perícias solicitadas pela defesa demonstrando um claro cerceamento da mesma. Entretanto, de repente eles lembraram: mesmo não sendo candidato, Lula poderia eleger quem indicasse, é necessário colocá-lo atrás das grades, de onde não poderá fazer campanha. A prisão foi decretada em tempo recorde passando por cima das leis, antes dos embargos serem exauridos, mas você pode dizer: os embargos são protelatórios; podem ser, mas sempre foram considerados, porque no caso do Lula foi diferente? Como disse o ministro Marco Aurélio Melo, vivemos num Estado de exceção regido pela “constituição do Paraná”. 
Concluo, caro leitor, dizendo que não sou ingênuo ao ponto de acreditar que não houve irregularidades e corrupção naquele período, houve e os culpados devem ser investigados e julgados sob a espada da justiça, que corta de vendas nos olhos, julgando todos como iguais e não criando regras diferentes para cada réu. Estou na polícia há 20 anos, não prendi todos que gostaria de ter prendido, mas me orgulho de nunca ter plantado ou forjado provas para prender nenhum criminoso, muito menos algum desafeto meu. Acredito que a honestidade e a valentia, são pressupostos básicos na minha profissão e, sobretudo, na minha vida. 
Daniel Barros - escritor

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Os dois lados de uma traição - Dirceu Emiliano e Priscila Glassner

A falta de amor e respeito ao outro acaba reduzindo tudo a estruturas, a esquemas que transformam os homens em joguetes de uma evolução quase que geneticamente determinada. Existe, sim, razão no sofrimento – certas dores simplesmente não têm cura.

A vida nos machuca a todos causando feridas que mesmo depois de cicatrizadas voltam a sangrar, isso é fato. E existem feridas que tem raízes tão profundas, que fazem com que a dor se torne insuportável ou intransponível. E toda essa dor nos prende em um casulo de magoas e desconfiança, numa tentativa inglória de nos proteger de mais dores.  A verdade é que quando se trai a desconfiança vem de brinde. E o problema não é o que você sabe, mas o que não quer saber, por que tem medo de descobrir. A situação fica clara e transparente quando se olha de outra perspectiva e percebe que o seu perdão se tornou imoral e seletivo ao perdoar a pessoa e viver sobrecarregado com desconfianças fúteis. Uma das capacidades mais inteligentes do ser humano é ter feito algo e reconhecer que não deveria ter feito. O ser humano que faz uma coisa e reconhece que não deveria ter feito, isso se chama arrependimento. Porém, a pessoa que faz uma coisa e não se arrepende tem um termo na medicina. Psicopatia. Psicopata é aquele que não tem noção de moralidade, que acha que pode fazer absolutamente tudo, que não deve nada a ninguém e que nunca será responsabilizado pelos seus atos. O amor nos permite discernir que a maior dor e o máximo prazer têm expressão inteiramente igual. Então, olhe para trás e se despeça das dores passadas, dos momentos não vividos e dos sonhos frustrados. Esqueça tudo o que foi, tudo o que já não é, mas, sobretudo, a dor que já não dói. Todo mundo já foi traído pelo menos uma vez na vida e a dor não é uma opção. Ela é parte integrante do conjunto de mágoas, e só quando nos permitimos perdoar de verdade é que toda dor se dissipará junto ao vento, o mesmo vento que trará à liberdade de um recomeço. E não enlouqueça exigindo fidelidade. Algumas pessoas simplesmente não conhecem o significado dessa palavra e por mais que eu procure ser compreensivo, vejo com espanto como as paixões mais infantis se apresentam camufladas sob a capa da traição. Então, livre-se dos pensamentos ruins, das escolhas erradas, das feridas que não fecham e que nossa tristeza seja breve e libertadora. Pois, o amor verdadeiro, por sua raridade, adquire maior valor. Mas só proporciona prazer em pequenas doses.
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Dirceu Emiliano

quarta-feira, 18 de abril de 2018

https://www.facebook.com/events/704418696349264/
O evento Brasília que Escrevo volta seus olhos para os escritores protagonistas de uma cena literária brasiliense em expansão. É uma iniciativa dos blogs Academia Literária DF, Leitora Sempre e Ponto para ler em parceria com o Sesc DF que objetiva dar voz e ser uma vitrine para aqueles(as) brasilienses – naturais ou de coração – que escrevem sobre ou ambientam suas histórias na Capital Federal.

Em um bate-papo descontraído, quatro escritores(as) convidados(as), sob a mediação de um colega de profissão, apresentarão suas próprias obras e debaterão a produção literária local, seguido de uma oportuna sessão de autógrafos para estreitar ainda mais os laços entre escritores e leitores.

Sendo aberto ao público, trata-se de uma oportunidade ímpar de conhecer ou rever os talentos da capital, e promover a troca de ideias sobre a Literatura Nacional como um todo e sobre a produção local especificamente, mostrando que a história de nossa Literatura não se encontra apenas no passado, mas que segue viva, crescendo e se reinventando em cada canto desse nosso país.

Logo daremos todas as informações sobre o evento. 
Aguardem!

terça-feira, 13 de março de 2018

Momentos - Júlio José Teixeira - Resenha Daniel Barros

Momentos - um romance vivido e escrito por um adolescente nos  anos 80


Júlio José Teixeira inicia sua carreira literária com um belo romance juvenil, mas que atingirá de cheio nos vivemos no momento descrito na obra. Em uma narrativa original, habitada nos anos 80, cada capítulo começa com descrições dos costumes da época (Momentos anos 80), para em seguida, citar um K7 com trechos de músicas como: Volta pra mim (Roupa Nova, 1987); Amor perfeito, (Rosana, 1987); Ciúme (Ultraje a Rigor, 1985); Um Dia de Domingo (Gal Costa & Tim Maia), entre outras.  Júlio nos remete a uma viagem no tempo, fazendo-nos redescobrir memórias guardadas. 

Um dia escrevi: Escrever bonito não é só... tem que tocar o leitor, comovê-lo, excitá-lo...fazê-lo parar para suspirar.  Teixeira atende de forma sublime a essa expectativa, não deixando ao leitor a possibilidade de não se emocionar e comover com sua narrativa. 
Em Momentos, Júlio conta a estória de Aline e Roberto, personagens que poderiam ser qualquer um de nós que vivemos a adolescência na década de 80, não há como não nos identificarmos com eles. Toda paixão juvenil, a descoberta da primeira pessoa a mexer com nosso coração, os olhares, as incertezas sobre ser correspondido, o entrelaçar das mãos, o primeiro beijo... surge então as inseguranças masculinas, “Apesar de tudo, havia uma coisa que eu no início, não entendia direito: dificilmente ela falava alguma coisa que me tocasse mais forte...”. Após a insegurança, a inconsequência e o erro... a reparação deste erro, torna-se tão maior que o próprio... enfim, um romance que além dos nos remeter aos anos dourados de nossas vidas, faz da obra um diário de todos nós.






Daniel Barros - escritor


sábado, 18 de novembro de 2017

A filha da minha mulher - Maria Montillarez Lindoberto Ribeiro

O novo romance de Maria Montillarez, A filha da minha mulher, ICEIB 2017, é sem dúvida uma agradável leitura, além de intrigante e muito bem estruturada. Nos prende desde as primeiras linhas e conduz o leitor aos mistérios da mente sórdida dos seres humanos, que com seus atos pecaminosos provocam dor, desesperança, angústias entre tantos outros sentimentos comuns em todos nós.
O romance conta os caminhos e descaminhos na vida de três personagens principais, o marido, Noel César, sua esposa Marisa e a filha desta, Rafaela. A montagem do romance é bem organizado, com diálogos bem definidos e autoexplicativos. 
Maria Montillarez, faz com que a leitura seja prazerosa e leve, nos prendendo a cada página lida, já ansiosos para chegarmos na seguinte. O relato do casamento entre Noel e Marisa, nos remete a um relacionamento perfeito, mas toma contorno não muito comuns, quando ela se dedica, quase que integralmente a sua carreira profissional, de maneira compulsiva e viciante, deixando, inclusive, de acompanhar o crescimento da filha, Rafaela, logo após a morte do pai. Deixando essa tarefa para seu esposo, que cuida da enteada como se fosse sua própria filha.
Com a misteriosa morte de Marisa, Noel e Rafaela se afastam, quando ela foi se exilar na Europa, voltando a se reencontrarem muitos anos depois. Eles vivenciaram ao longo dos anos momentos distintos, um chorando a morte da esposa e outro por privar-se de um amor não correspondido.
Com pitadas dignas de um belíssimo romance policial, com o final surpreendente e jamais imaginado pelo leitor, Maria Montillarez nos brinda com uma mensagem espetacular, onde o amor verdadeiro sempre merece vencer.
Parabéns!

Lindoberto Ribeiro
Escritor.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Homenagem ao Escritor da minha vida - Vânia Moreira Diniz

Vânia Moreira Diniz
Homenagem ao Escritor da minha vida

Vânia Moreira Diniz

Escrever é a conscientização de tudo que se encontra interiormente e é transcrito



durante toda uma vida. Ficção, realidade ou ambas mescladas estão ali formando as

frases que a alma do escriba deixou em versos ou prosa.

Assim como qualquer artista, o escritor derrama sua sensibilidade, sabedoria,

experiência, aprendizado ou análise literária ou técnica com a mesma profundidade do

ator que o representa ou do artífice que molda suas obras com a alma nas mãos.

Passado, presente ou futuro o escritor está sempre sob a influência de imagens ou

conhecimentos que se fixaram e é repassado com o instintivo calor do talento ou dom

com que foi agraciado.

Falo na minha família porque foi lá que observei os primeiros movimentos antes mesmo

de entrar no colégio e quando ainda não tinha noção do que estava sendo feito.

Meu avô, Raymundo de Monte Arraes foi o grande artífice, o artesão das palavras que

pouco depois eu lia encantada, admirando o valor do conteúdo que estava ali entre os

milhões de livros que compunham sua biblioteca.

Raymundo de Monte Arraes
Com ele aprendi o sentido da vida, o valor da escrita e da leitura e observei o quanto

queria passar aos jovens o seu conhecimento para que eles pudessem adquirir “algo que

ninguém lhes podia tirar”.

Sua casa sempre cheia de estudantes e de colegas escritores foi uma fonte de

conhecimento para mim e quando aos seis anos disse a ele que queria ser escritora, senti

em seus olhos uma chama de emoção que na ocasião não poderia saber o que

significava. Hoje imagino que ele não tivesse muito certeza de minha resolução pela

pouca idade, mesmo assim na mesma hora passou a me chamar de “minha pequena

escritora” o que foi para mim um motivo de alegria e orgulho.

A partir daí comecei a escolher nas bibliotecas de meu pai e avô os livros que os autores

que me chamavam atenção, mas como já disse várias vezes os primeiros livros sem

figurinhas que li foi Monteiro Lobato, autor pelo qual me apaixonei perdidamente. E daí

em diante não parei mais de ler compulsivamente.

Hoje é dia do escritor e isso me comove não só pela figura mais importante de minha

história que foi meu avô, mas pelos muitos autores que fizeram com que eu me alheasse

do mundo completamente e vivesse as páginas que “devorava” com sofreguidão.

Agradeço a meus pais, meus avós, meus mestres que me orientaram e deram uma

oportunidade ímpar e uma visão da vida, do mundo, valores imprescindíveis e a todos

os autores e educadores por intermédio dos quais pude dar passos importantes na minha

vida dedicando-me à escrita com amor inigualável.

Na oportunidade desejo dizer o quanto é importante conviver com meus colegas,

escritores brilhantes que iluminam meu caminho e a todos os colaboradores de um

trabalho que me absorve e que sem eles não teria sido possível realizar.

No entanto peço licença a todos para homenagear especialmente ao Escritor Raymundo

de monte Arraes, meu avô com quem aprendi a essência de todos os valores primordiais

da existência e encontrei o incentivo e a orientação para que pudesse persistir na escrita

com fascinação.

Pena que neste momento de um mundo globalizado, progressos estupendos e

conscientização de minha própria experiência ele não possa estar aqui. Mas tenho

convicção, que de onde estiver estará apreciando os frutos que deixou em seus livros,

um dos quais foi reproduzido e homenageado pela Universidade Nacional de Brasília

(UNB)

domingo, 2 de julho de 2017

ARQUITETURA DE ESPANTOS - João Carlos Taveira*


  



Acabo de ler Sortilégio possível, ainda inédito, mas certamente o mais maduro livro de poemas de Ivan Marinho. E talvez o mais oral e visual, desde que aprendeu a descansar os pincéis para abraçar a poesia, uma vez que se divide agora em “três metades” distintas: as artes cênicas, as artes pictóricas e a literatura. Sem contar, naturalmente, a inconfundível disposição para voar.




“FRAGMENTO DO ACASO
Sem gravidade flutuam
Estilhaços de um espelho
E cada parte reflete
Um fragmento do acaso.

Giram dando a impressão
De serem um universo
E são, de certo, mil vezes,
A expressão original

Da mesma parte perdida
A se olhar eternamente.
Ali, imagem pra sempre,
Como se fosse real.

E menos se vê no mundo

E no mundo só se vê
Como entérica alegria
Buscando a rima vazia
De não ser, só parecer.”


Pois bem. O livro está simetricamente construído sobre dois eixos: poemas curtos e estrofes de quatro versos, algumas rimando, mas a maioria sem rima alguma, bastando-lhes, quando muito, a métrica para alcance do ritmo e da plena musicalidade. Ivan se mostra muito à vontade nas redondilhas menor e maior, e grande parte dos seus poemas encontra-se esculpida em versos brancos.

“ORORUBÁ

Dançando em sua cabeça
Voltas ocres de corridas
Ondulam verdes cabelos
Juntos, outros, ao redor.

Em cada volta, a memória
Gesta um breve esquecimento
Para no centro um encontro
Ancestral se revelar.

Memória de gerações
Despertada em sentimentos
Perdidos anos a fio
Das lembranças, das histórias...

E se cabelos são matas,

Tantas voltas, todos um,
No meio da ebulição
Surge, como larvas, homens
E a guerra se faz canção.”

       
Outra característica do autor deste novo trabalho é o lirismo, não o lirismo raquítico e sifilítico magistralmente referido por Manuel Bandeira, mas o lirismo sadio e arejado de quem sabe das agruras da vida e também das delícias do sobrevoo. Ivan, com seus versos, lúcidos e antenados, sabe que o sonho por si só não basta, é preciso colher “nas miragens munição para usá-la quando no descaminho, na vil presença avessa e inesperada”. Por isso, sem titubeio, vem praticando uma poesia também de preocupação social, em que o homem, embora sujeito aos desmandos, é senhor absoluto do rumo de seus ideais. Basta ir à luta.

“PAI, PERDOAI!

Massa, úmida, de barro
Amassada pelas mãos
Cúmplices ou desconhecidas
Modelando a intenção.

Bloco que forma e reforma
Sempre perfeito, pois um,
Quando deforma ignora,
Se não se compara algum.

E cresce lá, grande barro,
Sem jamais querer o forno
Se o fim é a eternidade:
Quente nem frio, só morno.

Sucedem mãos, outras mãos,

Tão mesmas a modelar
A forma que se desfaz
E se refaz sem mudar
Porque não sabe o que faz.”

        Sortilégio possível, editado como merece, há de demarcar um terreno fértil e promissor para o pouso deste arquiteto de espantos. Ivan Marinho, além de amplidões, nuvens e cores, tem, desde já, espaço seguro na grande seara da nova poesia brasileira.
  
Brasília, 15 de abril de 2014.
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*João Carlos Taveira é poeta e crítico literário, com vários livros publicados. Em 1994, recebeu do GDF a Comenda da Ordem do Mérito Cultural de Brasília, por relevantes serviços prestados. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, à Associação Nacional de Escritores, à Academia Brasiliense de Letras, entre outras.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

O CAMINHO DO VENTO João Carlos Taveira*


  
           

Comecei a ler aos quatro, cinco anos. Aos sete, aprendi a voar. O primeiro voo, nas asas de um condor, desvendou as alturas da Cordilheira dos Andes, mais detidamente o chão do Chile de Gabriela Mistral, de Pablo Neruda. (Meu pai, com sua pequena biblioteca hispano-americana, possibilitou esse e outros voos.) Depois, naturalmente, planei em céu nativo: Castro Alves, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, José Lins do Rego, José Mauro de Vasconcelos. Ainda bem que a escola ensinava planos de voo, e outras línguas, como latim, francês. Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e alguns outros, só aos treze, quatorze anos. O destino ainda era incerto. Mas já estava traçado o caminho do vento.
           
Federico García Lorca
 Mas por que meus vizinhos precisavam de tradução? Por que não escreviam no meu idioma? Não demorou, veio a conscientização política e tudo se resolveu para o jovem aprendiz. Eram tempos de busca, de procura e de muita curiosidade para uma adolescência inquieta e ávida de sonhos. (O Atlântico podia ser imenso, largo e profundo, mas já havia sido desvendado e não tinha mais segredos.) Assim, antes dos vinte, asas crescidas, resolvi sair em busca de novas aventuras. E me fiz íntimo de Miguel de Cervantes, Miguel de Unamuno, Federico García Lorca, Juan Ramón Jiménez, Antonio Machado, Pedro Salinas... E da santa que também gostava de voar: Teresa de Ávila.
           
 Por isso, quando vejo uma pipa no céu, lembro-me das páginas imorredouras que adejavam diante dos meus olhos. E agradeço ao Destino a oportunidade de ter aprendido a conhecer novas e distantes plagas da literatura universal. São poetas, contistas, novelistas, almas aladas, com as quais aprendi a importância do voo e a dimensão da vida. Da minha vida. 
             Hoje, pássaro feito, revejo o panorama das letras ibero-americanas a estender-se soberano sob minhas asas renovadas.  E do Parnaso me vêm os cânticos de outras vozes poderosas a juntar-se, sob minhas penas, às reminiscências de um mundo distante, porém sempre novo.

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*João Carlos Taveira é poeta e crítico literário, com vários livros publicados. Em 1994, recebeu do GDF a Comenda da Ordem do Mérito Cultural de Brasília, por relevantes serviços prestados. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, à Associação Nacional de Escritores, à Academia Brasiliense de Letras, entre outras.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

GRITOS E SUSSURROS - Eugênio Giovenardi


IVAAN HANSEN  Óleo sobre tela
A confusão mental tomou de assalto, aqui e alhures, os ideais e os comportamentos de políticos e de líderes de movimentos e organizações sociais. A complexidade das relações humanas e destas com a natureza se origina e se amplia com o aumento da população da espécie sapiens no limitado espaço do planeta. Quem manda sobre quem e quem administra os bens da natureza são questões restritas à perplexa comunidade do homo sapiens.
A liberdade de pensar e a expressão de decisões e ideias requerem serenidade para ouvir e silêncio para refletir. Sair às ruas, aos milhares, gritar palavras de ordem, dispor-se a lutar fisicamente para entronizar propostas e interesses grupais não parece a melhor nem a mais adequada atitude mental para dialogar.
Eugênio Gionenardi

Multidão nas ruas contra multidão fechada em casa dificilmente conseguirá ouvir a pergunta e a resposta desejadas. Pensar não é um direito. É uma função essencial do cérebro. No grito e na marra é ainda a fase preliminar da evolução cerebral. O pensamento que alimenta a convivência entre as pessoas e entre estas e a natureza não brotará do grito nem frutificará na marra.