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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Ponto Para Ler entrevista Daniel Barros

Paulo Souza, do canal Ponto Para Ler, entrevista o escritor Daniel Barros

Daniel Barros e Paulo Souza

Literatura, política, corrupção, religião  são os assuntos debatidos. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Entrevista com o autor Daniel Barros - Laura Militão



Laura Militão
A entrevista de hoje é com o autor Daniel Barros, que é nosso parceiro.

Entrevista:

1-  Daniel, quando foi sua primeira publicação e qual foi?

O desejo de expressão é inerente à espécie humana, potencializado quando se refere ao sentimento. É preciso pôr para fora para não sufocar. Como dizia Paulo Leminski no poema “Pergunte ao Pó”: “... o que a gente sente / e não diz / cresce dentro”. Comecei a escrever justamente por essa necessidade de expor sentimentos e ideias. O sorriso da cachorra é uma história divertida e prazerosa. Entretanto, sem esquecer o espírito de denúncia que nós, os escritores nordestinos, temos.


2- Quais são seus livros já publicados?



O primeiro O sorriso da cachorra, Enterro sem defunto (romance policial) e Mar de pedras. O quarto está em  fase de revisão: canto escuro (romance policial).
www.amazon.com.br/Sorriso-da-Cachorra

O sorriso da cachorra é uma novela que basicamente conta estória de um casal de adolescentes que se apaixona e vive todo um encanto de amor juvenil e também todas as agruras e inseguranças da adolescência, tal paixão se passa na paradisíaca Maceió e em tempos de chumbo, finja nos estertores da ditadura militar, quando o casal se envolve no processo de redemocratização do país. Apesar de ser uma novela leve, apresenta um final um tanto pesado. Ah! O título poderia ser tema de um baile funk, mas não é bem assim. O livro, pelo contrário, como diz o poeta Ivan Marinho no prefácio: “A novela O sorriso da cachorra, se poema, seria uma ode à paixão, com toda sua ousadia, encantamento, ilusão... e loucura.”



3- Dos livros de sua autoria, qual é o seu preferido?

Enterro sem defunto
Discordo de alguns colegas que afirmam que livros são como filhos. Para mim não são, pois nesse caso, gosto sempre mais do caçula que dos demais. O que seria uma injustiça, porém, para fugir do mal, que assola nossa sociedade, a hipocrisia, digo-lhes: no fundo, nós pais temos a preferência por um deles, mas não podemos revelar para não causar ciúmes nos outros (riso).



4- Pretende publicar mais algum livro? Se sim, quando?

Quando terminei O Sorriso da Cachorra, meu maior medo era não ter folego para escrever outro livro, e ser escritor de um livro só. Hoje o meu maior medo é não evoluir nas próximas obras. Neste sentido tenho tido boas críticas sobre a minha possível evolução, e, portanto, o trabalho se torna mais árduo.
Sim. O livro Canto escuro já está pronto, em fase de revisão, que é a parte mais trabalhosa, mas deve ser lançado em 2018. É um romance mais denso, mais introspectivo, com um cuidado maior na construção dos personagens e do enredo.

5- De onde tira inspiração para escrever?

"Se queres ser universal, escreve sobre a tua aldeia." Tolstoi.
A vida, as pessoas que me cercam, o ambiente em que vivo, sobretudo, as ideias e os sentimentos inerentes à condição humana. 

6- Algum dos seus livros foi inspirado na sua vida?

Mais uma vez recorro à citação de outro mestre, desta vez Jorge Amando que dizia: “Todos os meus personagens têm um pouco de mim e das pessoas que conheço.” Só pretendo escrever minha biografia quando estiver perto de morrer, portanto espero que não seja por agora (risos).

7- Há algum autor em que você se inspire ou do qual seja fã?

“Vixi!” Vários. Poderia começar pelo autor que me inspirou a tornar-me escritor: Ernest Hemingway, um escritor que deixou uma belíssima obra e uma história de vida fascinante.
Jorge Amado, com certeza me influencia muito, até hoje. Como disse o presidente da Academia Petropolitana de Letras-RJ Gerson Valle, sobre minha obra: “... De alguma forma, refletem o hedonismo dos romances de Jorge Amado.”
Citaria também as influências literárias de minha terra, Alagoas: Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Jorge de Lima e Ivan Marinho. Tal qual eles, escrevo com a alma de nordestino sofredor e injustiçado e como disse Lêdo Ivo: “... nós, romancistas do Nordeste, denunciadores incômodos e incorrigíveis da pobreza e da injustiça, dos pesadelos e das calamidades, sempre nos distinguimos de nossos confrades do Centro e do Sul pelo nosso ar de estrangeiros, de emissários desse interminável Oriente que é a nossa terra natal.”
Mar de pedras
E muitos outros... Em outra entrevista foi perguntado sobre o encontro de gigantes em Mar de pedras: “Em Mar de Pedras Jorge Amado encontra Hemingway, quais as suas influências literárias?” Respondi: “Realmente um encontro de gigantes! A virilidade e valentia dos heróis Hemingwaynianos e a malandragem e a realidade dos anti-heróis de Jorge Amado. Em comum, as aventuras e a boêmia de ambos. Não há dúvida que são minhas maiores influências, mas não poderia deixar de citar Bernardo Guimarães e Marcel Proust, onde a riqueza de detalhes é marcante, riquezas essas que já me rederam algumas críticas negativas. Não poderia deixar de fora o mestre Rubens Fonseca, para mim o maior escritor brasileiro de literatura policial. Dele busco o cuidado técnico da informação colocada no enredo, sem furos por falta de conhecimento, o que é muito comum na literatura policial. Para você ter uma ideia, um premiado escritor e jornalista teve o disparate de escrever que seu personagem, ao ouvir um barulho na porta, ‘destravou sua pistola Glock e...’ Ora! As pistolas dessa conhecida fábrica austríaca não apresentam travas, apenas um mecanismo no gatilho, que ao ser acionado libera a arma para o disparo. Nesse mesmo livro ele cometeu outros equívocos, que poderiam ser facilmente eliminados, se ele tivesse a humildade de consultar um profissional da área.”

8- Qual seu livro preferido? 

Sortilégio possível - Ivan Marinho
Inúmeros! Romance: Ninho de cobras, de Lêdo Ivo; poesia: Sortilégio Possível, de Ivan Marinho, e histórico: Os sertões, de Euclides da Cunha.

9- Você segue algum método para escrever? Mantém fichas de personagens, esboços, desenha previamente as cenas ou é mais intuitivo?

Normalmente começo pelo fim. Penso no desfecho e desenvolvo em cima daquela ideia. E, para minha surpresa, descobri que esta técnica, era um método ensinado nas oficinas literárias ministradas por Gabriel García Márquez. Quanto aos personagens, estes surgem naturalmente, mas, à medida que escrevo, eles vão tomando formas e crescem. Às vezes, uma personagem que a princípio seria um coadjuvante cresce e se torna grande. Aconteceu em Enterro sem Defunto. Catarina era para ser apenas a namorada de Alcides, mas de repente cresceu ao ponto de ser, talvez, a personagem mais forte do livro. Em Mar de Pedras isso ocorre com Carolina.  Não quero dizer com isso que eles tenham vontade própria, não! Quem manda é o autor, mas tem personagens que nos conquistam.

10- Que dica você daria para quem planeja escrever um livro?

Ler, ler e ler! Escritor que não lê nunca se tornará um grande autor. Entrevista com o autor Daniel Barros

terça-feira, 16 de maio de 2017

Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista o escritor Daniel Barros


Shirley M. Cavalcante
Jornalista Shirley M. Cavalcante (SMC) entrevista o escritor Daniel Barros
         Daniel Barros, 48 anos, alagoano de Maceió. Foi colaborador em O jornal e Gazeta de Alagoas, na década de 1990. É engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Alagoas no ano 1992. Em Brasília, desde o fim dos anos 1990, onde pós-graduou-se em Segurança Pública e iniciou sua carreira literária publicando: O sorriso da cachorra, romance, editora Thesaurus, Brasília 2011; Enterro sem defunto, romance, LER editora, Brasília 2013 e Mar de pedras editora Thesaurus, Brasília 2015;.Participa das coletâneas: Contos eróticos, editora APED, Rio de Janeiro, 2013; e de Enquanto a noite durar, contos sobrenaturais, editora APED, Rio de Janeiro 2013. 

1. Escritor Daniel, é um prazer tê-lo conosco no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em que momento pensou em escrever o seu romance “O Sorriso da Cachorra”?

O desejo de expressão é inerente à espécie humana, potencializado quando se refere ao sentimento. É preciso pôr para fora para não se sufocar. Como dizia Paulo Leminski no poema “Pergunte ao Pó”: “... O que a gente sente / e não diz / cresce dentro”. Comecei a escrever justamente por essa necessidade de expor sentimentos e ideias. E criar uma história divertida e prazerosa. Entretanto, sem esquecer o espírito de denúncia que temos, nós, os escritores nordestinos. 
2. Como foi a construção do enredo e dos personagens?

Normalmente começo pelo fim. Penso no desfecho final e desenvolvo em cima dessa ideia. Os personagens surgem naturalmente, mas, à medida que escrevo, eles vão tomando formas e crescem. Às vezes, um personagem que a principio seria um coadjuvante, cresce e se torna grande. Aconteceu em ENTERRO SEM DEFUNTO. Catarina era para ser apenas a namorada de Alcides, mas de repente cresceu ao ponto de ser, talvez, a personagem mais forte do livro. Não quero dizer com isso que eles tenham vontade própria, não! Quem manda é o autor, mas tem personagens que nos conquista.

3. Ao terminar de escrever “O Sorriso da Cachorra” você já tinha planos para escrever o “Enterro sem defunto”?


Sim. Tinha a intenção de escrever sobre um tema mais polêmico, mais forte. Abordar aspectos estruturais da sociedade, no que se refere à segurança pública. E escrever um romance policial mais próximo da realidade. Diferente do estilo clássico, em que o mistério vai sendo desvendado à medida que surgem as provas, como os livros de Arthur Conan Doyle, Agatha Christie e Edgar Allan Poe. Enterro sem defunto tende mais para o romance noir, mas foge daquele noir estereotipado. Estamos no Brasil, nos arredores de Brasília ou em uma praia de Maceió. O tom é colorido como nos convém, longe do preto e branco ianque, personagens mais humanizados, bebem, fumam, brigam e se envolvem em casos sexuais. E surgem tramas paralelas. Tanto que no meu romance o enredo se dá em dois tempos, numa estética não-linear, intercalando capítulos entre o presente, em que o personagem é policial, e seu passado como fotógrafo.

4. Que temas você aborda em sua obra “Enterro do defunto”?
Havana - Cuba

Os temas são variados, desde as oligarquias políticas de Alagoas, a polêmica ilha de CUBA e seu povo, sexo, sensualidade, paixão, amizade, luta contra a corrupção e ao trafico de droga e até sobre a estrutura organizacional da polícia judiciária no Brasil. Tema bem atual, como bem podemos acompanhar no noticiário, como a CRISE na Polícia Federal, que é fruto de uma estrutura arcaica e corroída pela corrupção. Mas como escreveu o jornalista Marcos Linhares em uma resenha sobre meu livro: “... obra com seu toque de fino humor, retrato refinado e cru da realidade, recheado com dose de sonho, medo, dor, paixão, sexo, enfim, de vida. A vida espalhada pelas páginas das obras bem ornadas com o barro das palavras desse Daniel alagoano”. 

5. Como foi a escolha do título?
Ariano Suassuna

O sorriso da cachorra foi inspirado na obra de Ariano Suassuna, O auto da compadecida. Lá, a esposa do padeiro compra o padre para fazer o testamento da cachorra. Já Enterro sem defunto surge do mistério e da trama que envolve o final do livro, que não posso revelar, pois acabaria o enigma (risos). Busco escolher títulos espirituosos e que despertem o interesse do leitor pela história, bem como o porquê do título. 

6. Soube que você gosta de escrever contos. De forma geral, qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários?
E. Hemingway

Uma vez perguntado por uma repórter, Ernest Hemingway respondeu: “Se quisesse transmitir mensagens, enviaria telegramas.” Mas longe de mim, o velho mau humor do célebre autor de Por quem os sinos dobram? Sou apenas um contador de histórias, e pela minha origem coloco nelas a realidade dura do nosso país. Como dizia Lêdo Ivo: “... nós, romancistas do Nordeste, denunciadores incômodos e incorrigíveis da pobreza e da injustiça, dos pesadelos e das calamidades, sempre nos distinguimos de nossos confrades do Centro e do Sul pelo nosso ar de estrangeiros, de emissários dessa interminável Oriente que é a nossa terra natal”.

7. Daniel, onde podemos comprar os seus livros?

ed. Em Brasília, em diversas livrarias, entre elas: Livraria Leitura do Conjunto Nacional e Terraço Shopping, Livraria e distribuidora horizonte do Saber (SCLN 714/715 Bl:A Lj: 16 ASA NORTE BRASÍLIA DF) e Restaurante Fausto & Manoel, CLSW 101, Bloco C, lojas 8/9/10, Sudoeste- Brasília/DF. No site da Livraria Cultura os dois livros podem ser encontrados facilmente. 

8. Quais os seus principais objetivos como escritor? Pensa em publicar um novo livro?
www.amazon.com.br/Mar-Pedras-Daniel-Barros

Simples; ser lido! Tornar-me imortal, pois enquanto nossos livros são lidos, nós vivemos. Meu próximo livro, Mar de pedras já está nas mãos do meu revisor (João Carlos Taveira), e estou escrevendo outro, ainda sem título e sem pressa, pois pretendo escrever um livro mais denso, introspectivo... o que demanda um maior cuidado e um desgaste pessoal muito grande. Espero conseguir.

9. Quais os seus principais hobbies?
Quintal da casa do autor

Não gosto de esporte, não jogo bola, tênis, não pratico corridas... sou um boêmio! Cuido dos meus animais, cachorros, galinhas, perus, carneiros e peixes, não os ornamentais, crio-os para comer (tilápias, tambaquis, etc.) – E a leitura, naturalmente. Pescar é algo também que me proporciona muito prazer.


10. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil?

Sem dúvida, precisamos baixar os preços dos livros. O livro brasileiro ainda é um dos mais caros do mundo, mesmo sem a cobrança de impostos. Precisamos de prêmios literários sérios, onde pelo menos os livros sejam lidos pelos jurados. Na II bienal do livro de Brasília cada jurado teria pouco mais de um mês para ler 50 livros, é evidente que não é possível. O que fazem então para escolher? 



Daniel Barros e seu cão: Papa Hemingway
13. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Foi muito bom conhecer melhor o Escritor Daniel Barros. Que mensagem você deixa para os nossos leitores?

Leiam! Sobretudo meus livros... (risos). Brincadeiras à parte, devemos ler e estimular a leitura. Não só as crianças devem ser incentivadas, mas todos! Jovens, adultos... Nunca é tarde para se tornar um ávido leitor.


quarta-feira, 22 de março de 2017

Entrevista com Daniel Barros - Mauricio R B Campos

Óleo sobre tela, Hemingway e Daniel Barros - Ivan Marinho
Entrevista com Daniel Barros, autor de Sorriso da Cachorra, Enterro sem Defunto e Mar de Pedras. Cedida a Mauricio R B Campos em 30 de agosto de 2015.

"Se queres ser universal, escreve sobre tua aldeia." Tolstoi.


Maurício R. B. Campos
Gostaríamos de ter feito essa entrevista ao vivo, tomando um J.B. on the rocks, mas não foi possível, pois o alagoano Daniel Barros está radicado em Brasília, DF, e o Overshock fica no estado de São Paulo. 

Daniel Barros, Mar de Pedras, seu último romance, se passa na Ilha de Croa, em Alagoas, qual a sua relação com esse pequeno paraíso alagoano?

DB — Jorge Amado dizia que todos os seus personagens tinham um pouco dele ou das pessoas que ele conhecia. Para mim, escrever sobre os ambientes funciona da mesma forma. A Barra de Santo Antônio, onde fica a Ilha da Croa, eram aonde ia quando não estava trabalhando. Vivi bons momentos da minha vida naquela “ilha”, momentos não tão excitantes como viveu Henry Melo, mas bons momentos. Oportunidade em que convivi com pessoas que me inspiram a escrever Mar de Pedras. Entretanto, os acontecimentos políticos relatados no romance não se limitam às pequenas cidades, afinal no Brasil inteiro surgem “novos” políticos com velhos sobrenomes: Sarney’s, Cunhas Lima’s, Barbalhos, etc. Para você ter uma ideia, em Alagoas o governado é filho do presidente do Senado, o prefeito de Maceió é filho do ex-governador de Alagoas, Guilherme Palmeira e neto do ex-senador Rui Palmeira. Essa “genética” é discutida em Mar de Pedras.

Nos seus livros sempre há a presença de um fotógrafo, qual a sua relação com essa profissão? Já trabalhou com fotografia? Pensa em trabalhar com isso? Ou é uma escolha puramente literária?


Sebastião Salgado
DB — Sempre fui um entusiasta da captura de imagens. Ainda muito cedo me apaixonei pelas fotos de David Hamilton, Sebastião Salgado, Evandro Teixeira, Bubby Costa e Henri-Cartier Bresson — este me inspirou o nome para o personagem Henry Melo. Assim que me formei, comprei minha primeira máquina fotográfica. A intenção era fotografar movimentos sociais, mas infelizmente não conseguia ser espectador, acabava virando manifestante. Depois pensei em fotografar mulheres, mas não teria relacionamento que durasse (risos), então parti para paisagens e publiquei algumas fotos nos jornais em Alagoas, entretanto nunca atuei profissionalmente. E seguindo o caminho contrário do fotógrafo Araquém Alcântara, que sonhava ser autor de livros, eu sonhei ser fotógrafo e virei escritor.

Você segue algum método para escrever? Mantém fichas de personagens, esboços, desenha previamente as cenas ou é mais intuitivo?

DB — Normalmente começo pelo fim. Penso no desfecho e desenvolvo em cima daquela ideia. E, para minha surpresa, descobri que esta técnica de iniciar o livro, tendo já em mente o seu final, era um método ensinado nas oficinas literárias ministradas por Gabriel García Márquez. Quanto aos personagens, estes surgem naturalmente, mas, à medida que escrevo, eles vão tomando formas e crescem. Às vezes, uma personagem que a princípio seria um coadjuvante cresce e se torna grande. Aconteceu em Enterro sem Defunto. Catarina era para ser apenas a namorada de Alcides, mas de repente cresceu ao ponto de ser, talvez, a personagem mais forte do livro. Em Mar de Pedras isso ocorre com Carolina.  Não quero dizer com isso que eles tenham vontade própria, não! Quem manda é o autor, mas tem personagens que nos conquista.


Thesaurus 2015
Seu livro Mar de Pedras teve um boom de vendas no Reino Unido, chegando a ser o livro mais vendido em língua portuguesa na Amazon UK. Conte para nós o que aconteceu?
DB — Foi para mim uma agradável surpresa. Acredito que o clima tropical, a sensualidade, a vida boêmia e a cultura brasileira, ou seja, os temas abordados no romance possam despertar o interesse das pessoas que estão vivendo tão longe dessa realidade.

Por falar em Amazon, qual a sua opinião sobre a gigante dos livros eletrônicos?

DB — Acredito que a Amazon veio para revolucionar o mercado livreiro, não apenas com os livros eletrônicos, mas também o livro convencional. Os grandes editores e best sellers que criticaram muito a Amazon, hoje têm seus livros vendidos por ela. A forma honesta de prestação de contas, os direitos autorais pagos, nos livros eletrônicos que vão de 35% a 70%! Nos livros impressos 20%, quando no mercado convencional mal chega aos 10%. Tudo torna a Amazon um caminho promissor para novos escritores. Convém ressaltar que com Enterro sem Defunto cheguei a ocupar o segundo lugar de o livro mais vendido na categoria crime no Brasil, à frente “queridinhos” da mídia e de uma poderosa editora brasileira. Quando isto poderia acontecer no mercado convencional?

Você publicou seu primeiro romance, O Sorriso da Cachorra, pela Thesaurus, o segundo pela LER (Enterro sem Defunto), e com Mar de Pedras retornou à Thesaurus. Você em algum momento pensou em publicar de maneira independente, ou acredita que ainda é fundamental o suporte de uma editora?

DB — O grande problema do lançamento independente é a distribuição. Quando por editoras, a distribuição é viabilizada. Tenho uma preocupação com os conceitos independente e alternativo. Alguns colegas se intitulam alternativos por não atingir o grande público e consequentemente o mercado, e como crítica aos que alcançaram se dizem alternativos. E me pergunto? Eu quero ser alternativo? Alternativo a quem? A Graciliano Ramos, a Jorge Amado, Alcione Araújo, Raimundo Carrero? Não, meu amigo, eu quero estar entre eles, entre os clássicos, entre os melhores.
Raimundo Carrero
    
Você já trabalhou, ou pensa em trabalhar em outras mídias, como cinema, TV, quadrinhos, teatro? Já imaginou suas obras em outros formatos? Mar de Pedras tem todos os elementos, por exemplo, para ser uma minissérie televisiva.

DB — De fato, meus livros seriam facilmente adaptados para o cinema. Teatro, não tenho certeza, mas quadrinhos acho que só se fosse japonês - Hentai - (risos). Um amigo, cineasta pernambucano, vai analisar, mas nada concreto. Estou aberto para discutir uma possível proposta. Acredito que teríamos bons filmes, sobretudo, com Mar de Pedras e Enterro sem Defunto.

Em Mar de Pedras Jorge Amado encontra Hemingway, quais as suas influências literárias?

DB — Realmente um encontro de gigantes! A virilidade e valentia dos heróis Hemingwaynianos e a malandragem e a realidade dos anti-heróis de Jorge Amado. Em comum, as aventuras e a boêmia de ambos. Não há dúvida que são minhas maiores influências, mas não poderia deixar de citar Bernardo Guimarães e Marcel Proust, onde a riqueza de detalhes é marcante, riquezas essas que já me rederam algumas críticas negativas. Não poderia deixar de fora o mestre Rubens Fonseca, para mim o maior escritor brasileiro de literatura policial. Dele busco o cuidado técnico da informação colocada no enredo, sem furos por falta de conhecimento, o que é muito comum na literatura policial. Para você ter uma ideia, um premiado escritor e jornalista teve o disparate de escrever que seu personagem, ao ouvir um barulho na porta, “destravou sua pistola Glock e...” Ora! As pistolas desta conhecida fábrica austríaca não apresentam travas, apenas um mecanismo no gatilho, que ao ser acionado libera a arma para o disparo. Nesse mesmo livro ele cometeu outros equívocos, que poderiam ser facilmente eliminados, se ele tivesse a humildade de consultar que entendido no assunto. Aqui complemento a sua pergunta sobre o porquê da presença de fotógrafos nos meus livros, acredito que devemos escrever sobre o que conhecemos. 

O fato de Rubens Fonseca ter sido policial o credencia para ser o mestre, como você sempre o chama, da literatura policial?
Rubens Fonseca

DB — Poucas pessoas sabem que, o mineiro de Juiz de Fora, Rubens Fonseca foi policial civil no Rio de Janeiro. Fico feliz por sua lembrança. O fato de ser policial não o credencia para ser o mestre do gênero policial, mas o conhecimento adquirido no período em que foi policial fortalece sua genialidade. O dom para a escrita o faz um mestre, se não fosse na literatura policial, seria em outro gênero com certeza.

Mar de Pedras é uma obra que deixa espaço para continuações; podemos sonhar com uma série, ou a aldeia de pescadores do livro viverá apenas em nossa memória?

DB — Realmente tenho essa demanda dos leitores. E isso me deixa muito contente, significa que o livro marcou as pessoas e o desejo de continuar convivendo com os personagens é algo positivo. Então penso que ainda seria uma boa estória os desdobramentos dos acontecimentos narrados no epílogo. Carolina, Francesca, Padre Francisco... enfim, como grandes personagens, talvez nos proporcionássemos um belo enredo. Mas tenho outros projetos em mente.

O que podemos esperar de Daniel Barros? Seus livros têm ficado cada vez melhores; o que vem por aí?
Daniel Barros

DB — Quando terminei O Sorriso da Cachorra, meu maior medo era não ter folego para escrever outro livro, e ser escritor de um livro só. Hoje o meu maior medo é não evoluir nas próximas obras. Neste sentido tenho tido boas críticas sobre a minha possível evolução, e, portanto, o trabalho se torna mais árduo. Estou escrevendo, no momento, um romance mais denso, mais introspectivo, com um cuidado maior na construção dos personagens e do enredo. Não quero ainda adiantar o título, pois não sei se vou conseguir atingir o meu objetivo, e caso não, não o publicarei. Quando comecei a escrever Mar de Pedras, meu objetivo era escrever um romance tropical, suave, agradável, com sabor e cheiro, não que as questões políticas lá presentes não despertem a um questionamento sobre nossa sociedade, capitalista, egoísta e corrupta, entretanto, não tiram a leveza e o colorido da trama. Após a conclusão desse trabalho, quero retornar ao gênero policial, para isto, estou ampliando minha biblioteca no gênero para, a partir do final deste ano, me dedicar mais ao tema. E espero que entre estes livros que me darão subsídios para escrever uma boa narrativa, esteja o seu livro, caro Maurício, que pelo que já conheço das suas linhas, será sem dúvida uma grande obra literária. Quanto à entrevista não ter sido ao vivo, e, portanto, na aprazível companhia de Justerini & Brooks, espero termos outra oportunidade, para nos conhecermos pessoalmente e podermos papear um pouco, o que será um grande prazer para mim.  



Mar de pedras


https://www.amazon.com/Daniel-Barros/e/B00E8OYTII

terça-feira, 14 de março de 2017

Iluminuras - André Ramos e Daniel Barros (08/07/16)



Engenheiro agrônomo de formação, Daniel Barros é policial civil há 18 anos. E é da profissão que ele colhe boa parte das histórias que estão em seus romances, contos e poemas. A obra mais recente, lançada no ano passado, é “Mar de pedras”.

“É a história de um fotógrafo que vive numa ilha paradisíaca no interior de Alagoas e que viaja muito a trabalho. Essa ilha tem uma vila de pescadores e as casas de veraneio dos poderosos. E, por ser muito ligado à comunidade, ele causa certo ciúme nos poderosos, que têm medo que ele se torne político”, revela.

No segundo bloco do programa, a conversa é com André Ramos, professor e procurador federal da Advocacia-Geral da União. Doutor em Direito Empresarial, ele elenca os escritores que mais admira e detalha alguns dos livros que publicou.


“São oito ou nove lançados. E o principal deles é ‘Direito empresarial esquematizado’. É como se fosse um manual, um livro basicamente para estudantes de graduação e para aqueles que estão se preparando para provas, exames, concursos. Faz um resumo de toda a matéria”, explica.








sábado, 4 de fevereiro de 2017

Entrevista com Anaximandro Amorim - por Maurício R. B. Campos

Entrevista com Anaximandro Amorim

Anaximandro Amorim viveu, aos trinta anos, uma impressionante experiência de quase morte (EQM).



Para superar as sequelas de um grave acidente de carro, empreendeu uma impactante jornada de

superação pessoal. Uma lição de vida para quem já passou por situações semelhantes, e também para

quem se interessa por espiritualidade, reflexão, religiosidade e outros temas de transcendência e

aprimoramento.

A Vida depois da Luz, Anaximandro Amorim, 1ª Edição, Leya, 2015, 176 páginas.

Skoob: Clique aqui.

Com um ritmo de leitura agradável e uma linguagem simples e elegante, o livro de Anaximandro (Anax, para os amigos), com certeza vale a pena. Convidei o autor capixaba para bater um papo:

1.O livro A Vida depois da Luz narra a quase morte de um advogado, mas também o nascimento de

um escritor. Como foi esse processo?

Foi um processo muito difícil, de reaprendizagem e redescoberta de muita coisa. Reaprendizagem, pois,

eu, literalmente, precisei reaprender a respirar, comer, falar e andar. Redescoberta pois, sem medo de

parecer clichê, quando se vê a morte de tão perto, passa-se a questionar valores, gostos... há coisas que

deixam de fazer sentidos e outras que começam a fazer. Por isso que chamei tudo de renascimento. É

como se fosse passada uma borracha em mim. Foi, certamente, um novo começo, uma nova chance.

Esse processo começa no dia do acidente, em 07/09/09 e vai até hoje. Passei por meses de internação,

um coma, sete cirurgias e, só recentemente, no dia 19/01/17, tive coragem de pegar uma estrada,

sozinho, pela primeira vez. Acho que tudo vai terminar, para mim, quando eu conseguir chegar ao fim

daquela viagem, pois a ideia era chegar até Santa Tereza, cidade nas montanhas capixabas. Quero

refazer esse trajeto. Agora, sinto-me capaz. O dia em que conseguir, terei terminado por completo essa

história.

2. Depois de sua experiência, você estudou muito sobre EQM?

Sim. Precisei até por conta do livro. É uma experiência sobrenatural, algo difícil de ser verbalizado e

ainda cercado de polêmicas. Há uma corrente que nega a existência da EQM, dizendo ser tudo fruto da

atividade cerebral sob efeito de determinadas condições e drogas. A maioria, no entanto, acredita. Os

relatos de quem passou por essa experiência são muito parecidos. Eu tenho certeza de que ela existe.

Minha experiência foi muito real e contundente. Existe, sim, um “lado de lá”.

3. A série The OA, do Netflix, é sobre EQM. Fiquei curioso de saber se assistiu, e se a resposta for

positiva, o que achou?

Não, e agradeço muito pela dica! Vou tentar conferir!

4.Ao ler o trecho sobre a Academia Espírito-Santense de Letras, fiquei curioso sobre como é a rotina

de um imortal. Você poderia dar detalhes sobre isso?

A Academia Espírito-Santense de Letras (AEL) é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 1921,

tendo como um dos seus objetivos congregar autores cuja produção literária tenha por base geográfica

o Espírito Santo. Não precisam ser necessariamente capixabas de nascimento, tanto que temos

mineiros e goianos nos nossos quadros, por exemplo. A instituição funciona nos mesmos moldes da

Academia Brasileira de Letras que, por sua vez, tem como base a Académie Française. Trata-se de um

grêmio literário, composto por 40 autores de gêneros e idades diferentes, que se irmanam pelo ideal

das Letras.

Há muita “mitologia” acerca das Academias. Ao contrário do senso comum, uma Academia não é um

prêmio ou um local de vaidade, mas, sim, uma pessoa jurídica com escopos bem delineados. Um deles é

o fomento à leitura e à literatura, no nosso caso, produzidas em solo capixaba. Tanto é que a AEL edita,



anualmente, uma revista, junto com parceiros patrocinadores públicos e/ou privados com a produção

de seus acadêmicos, abrindo espaço, também, para aqueles que queiram participar; há a reedição de

obras raras, necessárias para a pesquisa e também a participação em coleções tradicionais de livros e

revistas da capital e do Estado; A Academia também está presente em concursos literários, saraus

poéticos e na organização da Flic, a Feira Literária Capixaba, maior evento literário do Espírito Santo.

Os acadêmicos são chamados de imortais porque só deixam a academia depois da morte. A

“imortalidade” em questão é da obra. O autor fica imortalizado naquela cadeira, tanto que o próximo a

ocupar aquele assento necessita, obrigatoriamente, citar o(s) anterior(es) em seu discurso de posse. A

entrada se dá por meio de eleição, com a vacância da cadeira. Não há idade, nem mínima, nem máxima,

para entrar e o único requisito é ser escritor. No caso da AEL, é feita uma comissão que dá um parecer

não vinculativo sobre os candidatos, no dia da eleição, sendo livre o voto. Assim, o autor que se sentir

apto pode se inscrever, lembrando que entrar em uma Academia é um ato de muita responsabilidade,

pois é para a vida toda.

5.Quais seus autores preferidos, aqueles que lhe influenciaram?

Tenho vários! Minha primeira paixão literária, por assim dizer, foi José de Alencar. Depois vieram

Monteiro Lobato, Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Cecília Meirelles, Murilo Mendes, Adélia

Prado, Clarice Lispector, Rubem Braga, Nelson Rodrigues, além dos lusófonos não-brasileiros Fernando

Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen e Mia Couto.

Em língua estrangeira vêm Victor Hugo, Alexandre Dumas, Shakespeare, Molière, Kafka, Camus, Laclos,

Ionesco, Sartre, Foucault, enfim, são tantos que fica até difícil fazer uma lista. Certamente ficou gente

de fora.

Além disso, faço questão de acompanhar a literatura do meu Estado, o Espírito Santo, rica e pujante.

6.Se pudesse dar um conselho aos autores iniciantes, qual seria?

Leiam muito! Não há, definitivamente, escritor que não seja leitor. Recentemente, li uma matéria sobre

autores que não gostam de ler. Isso é uma contradição em termos! Literatura é um produto direto da

leitura e grandes autores sempre foram, antes de mais nada, contumazes leitores!

Não tenham medo de publicar. Não há “hora certa” para isso. Mas saiba que você irá revisar seu texto

zilhões de vezes, antes de chegar a uma fórmula aceitável. Prontos, nunca estamos.

Não ligue para críticas. Sempre vai haver quem gosta e quem não gosta de seu trabalho. Acaso receba

um comentário desabonador, abaixe para o próximo e bola para frente.

Mas, sobretudo, cultive sempre a humildade! Meios artísticos costumam ser locais de egos inflamados.

Não se deixe levar por isso. Ganhar prêmios, concursos, condecorações, são uma honra e massageiam o

nosso eu interior, mas, saiba que, para que isso aconteça, existe um longo caminho pela frente.

Ninguém chega onde chega à toa.



7. A Vida depois da Luz é seu sétimo livro e o primeiro por uma grande editora. Como foi assinar com

a LEYA?

Foi o fechamento de um ciclo para a abertura de outro. Até então, e apesar de já contar com 20 anos de

estrada, eu era considerado um autor “local”. É muito complicado para quem não mora no eixo RJ-SP. E

é até “engraçado” (entre aspas, mesmo) porque, de autor “capixaba”, virei autor “brasileiro”. De uma

hora para a outra! E aí, eu, acostumado com pequenas tiragens, me vejo lido no Brasil inteiro e até em

Angola e Moçambique! Assustador, no início. Mas, muito gratificante!

8. O que podemos esperar de Anaximandro Amorim? Quais suas próximas páginas?

Tenho bastante coisa inédita, material para uns quatro livros, dois romances e dois de crônicas. Tenho

também um livro de contos prontinho. Quero escrever um pouco na minha outra área, linguística, um

livro de língua francesa. Enfim, ficar sem escrever, jamais!

Foi um prazer receber o Anaximandro para essa entrevista, se você quiser continuar esse bate-papo

com o autor, acesse o site http://anaximandroamorim.com.br/ para conhecer suas obras, ler suas

crônicas e outros textos.

Entrevista cedida a Mauricio R B Campos, escritor e roteirista.